UNIMED - Sergipe
04 de Junho de 2021

Ser instrumento de transformação é o que mais me orgulha em meu trabalho

Psicóloga compartilha a importância da saúde mental e o papel do profissional na caminhada do autocuidado
 
Com 13 anos colaboração com a Unimed Sergipe, a psicóloga Marcia Regina de Oliveira Santos faz parte da equipe de Psicologia da cooperativa. Com sensibilidade e uma escuta apurada, Marcia atende os colaboradores do Time Unimed e oferece suporte psicológico aos pacientes diagnosticados com Covid-19. Na série de entrevistas “Sou do Time”, a psicóloga aborda a importância do cuidado com a saúde mental no ambiente do trabalho e no tratamento das doenças. Confira:
 

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UNIMED SERGIPE: Fale um pouco sobre o telemonitoramento.  Como funciona? Qual o público que mais procura?
MÁRCIA SANTOS: Atualmente, integro a equipe do Núcleo de Atenção Integral à Saúde (NAIS) para somar com o suporte psicológico aos nossos pacientes COVID, junto à equipe do telemoniramento desde o início da pandemia. Um serviço que é muito gratificante, pois são muitas histórias, muitas angústias e muitas dores nesse momento em que a nossa atuação ajuda a trazer um pouco de alívio, esclarecimento e conforto para essas pessoas e suas famílias. Sempre que a equipe do telemonitoramento identifica pacientes que estão apresentando essa necessidade e estão muito sensíveis, mobilizadas, ansiosas, depressivas, por exemplo. O teleomonitoramento oferece esse suporte e eu o presto com muita responsabilidade. Muitas pessoas foram acolhidas nas suas perdas e nos seus medos. Ajudá-las também me ajudou a enfrentar esse momento me sentindo útil como meu trabalho.

US: O Plantão do Acolhimento é uma ação de acolhimento emocional para os profissionais que estão na linha de frente. Como é cuidar dos colegas num momento tão delicado para área da saúde devido a pandemia?
MR: Essa ação foi desenvolvida pela equipe de psicólogas do NAIS, em concordância com o RH da Unimed e gestores, e estivemos junto dos profissionais da linha de frente do Hospital Unimed, nos três turnos, oferecendo uma escuta humana e acolhedora, como uma rede de apoio onde eles puderam ter um espaço para abrir com liberdade e espontaneidade tudo o que eles quisessem, um espaço só deles para dividirem o peso que o momento crítico de muita pressão, perdas e desgaste físico e emocional estava trazendo para vida desses profissionais, que estão firmes e comprometidos no propósito de cuidar de todos nós. A idéia é contribuir para a promoção de um espaço acolhedor e contribuir para a preservação da saúde mental e emocional desses profissionais que são nossos colegas. Tal ação, também, foi replicada em outras duas unidades da Unimed, com profissionais da saúde e administrativos que estão trabalhando diretamente na assistência.

US: O que mais chama atenção, profissionalmente e pessoalmente, no trabalho que desenvolve?
MR: Diante de uma situação tão nova e tão dramática que nos foi imposta a todos, sem exceção, de tantas incertezas, medos, angústias, tantas perdas e mudanças, dentre outras coisas, não me surpreende o aumento do sofrimento emocional. Visto o aumento pela busca de apoio profissional nesse sentido, ajuda a área que muito ainda precisa ser reconhecida e validada, pois a saúde mental é tão importante quanta a saúde física e muitos de nós descuidamos dela. Porém, prefiro me surpreender, nesse momento, com a capacidade do ser humano de se reinventar diante da adversidade, mesmo que às duras penas, de ser solidário e se indignar, dando, assim, a nós um fio de esperança por dias melhores, pois seremos nós os agentes dessa mudança, ninguém mais.

US: O que mais te orgulha no trabalho desenvolvido como psicóloga?
MR: Bom, não sei se a palavra é orgulho, mas o que mais me faz sentir realizada na minha atuação como psicóloga é ver o outro adquirir liberdade e autonomia sobre sua vida, suas decisões, tomar consciência de si, das suas emoções, aprender a se acolher e às suas dores. Enfim, caminhar sem mais estar de mãos dadas comigo e sim de mãos dadas consigo mesmo, isso tudo através do meu trabalho. Ser instrumento de transformação, é o que mais me orgulha.