UNIMED - Sergipe
07 de Outubro de 2021

Outubro rosa: Inca estima mais de 66 mil casos de câncer de mama no Brasil em 2021

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Durante o mês de outubro, toda a sociedade se mobiliza em favor da saúde das mulheres. A campanha Outubro Rosa ganha força a cada ano e apoiadores em todo o mundo, buscando alertar sobre a importância da prevenção ao câncer de mama, o segundo tipo mais comum de câncer no Brasil. 

Segundo o médico mastologista cooperado Unimed Sergipe, Dr. José Amaral, existem vários tipos de câncer de mama. "O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresenta bom prognóstico", explica Dr. José Amaral.
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De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de que mais de 66 mil casos de câncer de mama sejam diagnosticados no Brasil em 2021.  O câncer de mama também acomete homens, porém a incidência é bastante rara,  representando apenas 1% do total de casos da doença. No ano de 2019, 18.295 mortes pela doença foram registradas no país, sendo 18.068 mulheres e 227 homens. Segundo Dr. José Amaral, não existe apenas uma causa para o surgimento do câncer de mama.

"A idade é um dos mais importantes fatores de risco para a doença, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Outros fatores que aumentam o risco da doença são fatores ambientais e comportamentais, como  obesidade e sobrepeso, inatividade física, consumo de bebida alcoólica, exposição frequente a radiações ionizantes para tratamento de radioterapia ou exames diagnósticos, como tomografia, Raios-X, mamografia", pontua o mastologista.

Outras causas apontadas estão ligadas ao tabagismo, a fatores da história reprodutiva e hormonal, como primeira menstruação antes de 12 anos, não ter tido filhos, primeira gravidez após os 30 anos, parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos, uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona) e ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.

"Também existem os fatores genéticos e hereditários, como histórico familiar de câncer de ovário, casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos, história familiar de câncer de mama em homens, alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2. A mulher que possui um ou mais fatores genéticos/hereditários apresenta risco elevado de desenvolver câncer de mama. Apenas 5 a 10 % dos casos da doença estão relacionados a esses fatores. Mas, a presença de um ou mais desses fatores de risco não significa que a mulher terá necessariamente a doença", alerta o médico. 

Prevenção

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como praticar atividade física, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, amamentar o máximo de tempo possível e evitar o tabagismo passivo. 

"O câncer de mama pode ser percebido em fases iniciais, na maioria dos casos, por meio dos seguintes sinais e sintomas: nódulo fixo e geralmente indolor é a principal manifestação da doença, estando presente em cerca de 90% dos casos quando o câncer é percebido pela própria mulher. Também pode-se notar a pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja; alterações no bico do peito, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos", elenca Dr. José Amaral.

Ao detectar estes sinais e sintomas, é importante que o paciente busque um médicos para seja avaliado o risco de se tratar de câncer. "É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal, seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano, sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias. A postura atenta das mulheres em relação à saúde das mamas é fundamental para a detecção precoce do câncer da mama", completa o médico.

O câncer de mama pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim a possibilidade de tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias. Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.

Diagnóstico

Dentre os exames que podem ser realizados para a descoberta de um câncer de mama, a mamografia é o mais eficaz. O exame dura, em média, de 15 a 30 minutos e o resultado fica pronto em até duas semanas.

"Mamografia é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do surgimento dos sintomas, ou seja, antes que seja palpada qualquer alteração nas mamas. Mulheres com risco elevado de câncer de mama devem conversar com seu médico para avaliação do risco e definição da conduta a ser adotada", esclarece o mastologista.

A mamografia de rastreamento pode ajudar a reduzir a mortalidade por câncer de mama, pois encontrar o câncer no início e permite um tratamento menos agressivo, diminuindo a chance de a paciente morrer pela doença, em função do tratamento precoce. 

"Exposição aos Raios X raramente causa câncer. Esse dado não deve desestimular as mulheres a se submeterem à mamografia, já que a exposição ao Raio X durante esse exame é bem pequena, tornando o método bastante seguro para a detecção precoce", pontua o médico.

A mamografia diagnóstica, exame realizado com a finalidade de investigação de lesões suspeitas da mama, pode ser solicitada em qualquer idade, a critério médico. Ainda assim,  o exame não apresenta uma boa sensibilidade em mulheres jovens, pois nessa idade as mamas são mais densas, e o exame apresenta muitos resultados incorretos.

Um nódulo ou outro sintoma suspeito nas mamas deve ser investigado para confirmar se é ou não câncer de mama. Para a investigação, além do exame clínico das mamas, exames de imagem podem ser recomendados, ultrassonografia ou ressonância magnética. A confirmação diagnóstica só é feita, porém, por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita por meio de punções (extração por agulha) ou de uma pequena cirurgia. O material retirado é analisado pelo patologista para a definição do diagnóstico.

"Muitos avanços vêm ocorrendo no tratamento do câncer de mama nas últimas décadas. Há hoje mais conhecimento sobre as variadas formas de apresentação da doença e diversas terapêuticas estão disponíveis. O tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra e do tipo do tumor. Pode incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica", aponta Dr. José Amaral.

Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.